Filho Bilingue

Eu sempre achei muito bonitinho bebezinho, criancinha, falando. Quando aquele tico de gente começa a vocalizar seus pensamentos e sentimentos, a primeira vez que você escuta o doce “mamãe” é excitante e inesquecível. Porém eu me preparei psicologicamente para não escutar meu filho falar nem tão cedo, afinal,  criança bilíngue “sempre demora mais a falar”, pelo menos é o que todos dizem.

Mas a verdade é que cada criança é diferente, tem um ritmo diferente, e o fato de começar a falar logo cedo ou não, não significa que uma criança é mais desenvolvida que a outra. As habilidades do bebê vão sendo desenvolvidas em tempos diferentes. Tem uns que logo cedo estão escalando tudo em casa, ou andam muito rápido, ou são muito bons em montar brinquedos, ou naqueles brinquedinhos de encaixar… varia muito.

Então, meu filho Benjamin está com quase dois anos, e contrariando as minhas expectativas, porém atendendo aos meus desejos, começou a falar muito cedo. E hoje em dia ele está falando tudo, em inglês e português, mas são mais palavras soltas, e umas poucas frases. Também adora cantar músicas e tocar seu violão, que ele chama de dugudugudá. Eu acho isso muito fofinho. Adoro descobrir a cada dia que ele está falando uma coisa nova. Ele tem me ensinado algumas palavras inclusive hehehe. Por exemplo, ele tem um caminhaozinho que ele  chama de digger, e eu particularmente não sabia o nome específico desse caminhão. Também já me ensinou algumas músicas, ou me fez procurar as letras para cantar com ele.

Porém eu tenho percebido uma coisa que muitas mães brasileiras se queixam: ele tem preferência por falar inglês! Mesmo que a gente só fale em português em casa. Talvez pelo fato de ir para a daycare (creche) e estar rodeado por pessoas que falam inglês. Ele também mistura muito as duas línguas, numa mesma frase. E eu noto que até eu misturo também. Por exemplo, eu pergunto: Ben, cadê o seu horsy (cavalinho)? Deve ser difícil mesmo ne? Mas pelo menos ele entende tudo que eu falo nas duas línguas (ou não né? As vezes se faz de desentendido!). Uma dica que já recebi de outras mães é não responder quando ele falar em inglês e dizer algo do tipo, mamãe não está entendendo o que você quer dizer, você pode falar em portugues? Eu particularmente acho que isso funciona mais com crianças maiores. No tamanho dele o que mais está funcionando para mim é simplismente insistir no português e acho que ele vai começar a falar mais aos poucos.

Enfim, estou adorando poder me comunicar cada vez melhor com ele! Embora que, a moda dele agora seja repetir todas as minhas perguntas, em inglês ou português. Então se eu pergunto: você quer uma fruta ou um iogurte? Ele vai responder, uma fruta ou um iogurte? hahahhaa. E viva a nossa comunicação!

 

 

 

Relato de parto

Benjamin nasceu de parto normal as 10 e meia, por ai, da noite do dia 2 de Abril de 2016 no hospital “Kelowna General Hospital”  na cidade de Kelowna, British Columbia, Canada. Minhas amigas gravidas que desejam um parto normal, não escrevo meu relato para desencoraja-las. Mas quem sabe pelo contrario, voce saiba que se eu consegui, apesar de tudo que passei, e voce optar pelo parto normal, lembre-se do que eu passei, voce conseguira também!

Quem me conhece bem, nunca imaginou que eu iria conseguir esse feito, pois sou mole demais! Ou era…

Bom, aqui no Canada, o parto normal eh a primeira opção, bem diferente do Brasil. Me preparei muito para o meu parto: fiz aulas, fiz yoga, fui ao quiroprata e etc…Tive uma gravidez tranquila e saudável, so com alguns picos de pressão no final.

Engordei muito, nao facam isso! Eh difícil demais, porque gravida morre de fome. Serio, minha fome era incontrolavel! Mas, esse eh um erro que não vou cometer na minha próxima gravidez.

Apos as 41 semanas, nada de Ben querer nascer… Na sexta feira dia 1 de abril fui induzida com um remédio chamado cervadil, e no sábado, dia 2, o remédio tinha feito efeito, e eu estava com 2 cm de dilatação. Entao fui induzida com ocitocina. A indução começou após o almoço (tive fome durante todo meu trabalho de parto hehehe), mais ou menos umas 11 da manha, entao foram quase 12h de trabalho de parto. Eu estava indo muito bem, respirando a cada contracao, tranquila apesar da dor. Quando cheguei aos 6 cm pedi a epidural, pois a dor era muito grande. Dizem que quando voce é induzida, sente mais dor. Apos a epidural, foi otimo, não sentia mais dor… voltei a chupar meus picolés, pedi para minha doula fazer uma trança no meu cabelo. Rapidinho cheguei aos 10 cm, mas não sentia vontade de empurrar. Ele estava encaixado, os batimentos bons… Entao depois de um tempo nessa espera, a medica começou a me dizer quando empurrar (fazer forca para o bebe nascer), mesmo sem vontade. Quando a contracao vinha, eu empurrava 3x. Não sei se foi a epidural, mas eu senti SONO, acreditem. E fome o tempo todo hehehe.  Acho que depois de uma hora talvez (perdi a noção do tempo) eu comecei a sentir vontade de empurrar e voltei a sentir dor. Muita dor. So sei, que nessa brincadeira, eu empurrei mais ou menos por 3 horas. Nas 3 ultimas vezes, lembro como hoje. Eu estava deitada, e  medica pediu para eu me apoiar na barra. Fiz uma forca enorme para me agachar na barra, que fica na cama. Minhas pernas estavam pesadas demais. Dai me deitei exaurida, e passei por aquele momento que toda mae que teve filho de parto normal sabe qual eh: desisti. Passei uma contracao sem fazer forca. Achei que não ia conseguir. E todo mundo dizia, vai isa, estamos vendo a cabecinha, ta perto!  Entao, na ultima vez, empurrei 5 vezes e ele finalmente nasceu. Nem acreditei. Durante todo meu trabalho de parto so pedia a Deus que Ele nascesse e com saúde. Estava com medo dele não sair mesmo, Na ultima vez reuni todas as minhas forcas e pensei: so eu posso fazer isso, e ele precisa nascer! Engraçado como toda minha gravidez eu orei para não ser induzida, não fazer episiotomia, não rasgar, não usar forceps, ter um parto “tranquilo”, dentro das possibilidades. Não foi bem assim… Mas em momento nenhum tive raiva de Deus ou me revoltei. Minha nova oração era: Senhor, que eu consiga parir ele, e que ele nasca bem! Com saúde. E que eu possa viver para cuidar dele. E Deus me concedeu essa benção. Pois em muitos momentos eu tive realmente medo de morrer. Agora eu tenho a alegria de ter meu Ben mais precioso comigo. Deus eh bom em todo o tempo, e em todo tempo, DEUS eh bom!

Bem, apos meu parto, quando comecei a esquecer a dor e conectar com meu filho, ainda tive que empurrar a placenta (não foi, eh mínimo comparado a dor do parto… mas quem eh que quer empurrar mais alguma coisa depois de estar exausta)… ate ai tudo bem. Mas comecei a ter sangramento. Fizeram massagem no meu utero (eh uma massagem na barriga dói muito) para parar o sangramento. Perdi tanto sangue que poderia ate tomar uma transfusão, mas a medica optou por suplementado com medicamento. E depois disso, fui costurada por 1:30h por uma cirurgiã, porque tive laceração de 3 grau (para quem não sabe, so existem 4 graus, ou seja… me dei mal). Senti muita dor durante esse tempo, não consegui segurar meu filho. E depois de tudo isso… quando finalmente eu ia para o meu quarto, a enfermeira me colocou na cadeira de rodas e me entregou Ben, porque aqui, so a mae pode carregar o bebe para o outro quarto. E eu disse ao meu esposo, Alex, segure ele porque não to me sentindo bem. Quando alex segurou ele eu falei… eu vou desmaiar… Depois disso eu não vi nada… quando acordei estava em cima da cama, com umas 9 pessoas do hospital olhando pra mim… e Alex me dizia… Isa, voce precisa ficar acordada, voce desmaiou… e eu me sentindo num episódio de Grey’s anatomy pensava: estou morrendo. Minha pressão estava muito alta… Alex disse que a medica falou que nunca tinha visto algo assim, porque quando desmaiei, fiz uns movimentos estranhos com o braço e também fiquei cinza… ate hoje não sei o que eu tive direito. A medica me deu remédio para proteger meu cérebro, pois achou que eu estava com pre-eclampsia. Resultado. Fiquei internada mais 4 dias no hospital, nos 2 primeiros dias usei uma sonda, pois não conseguia nem andar, estava mais inchada que um elefante, e mais branca que um vampiro (LINDA). Tive muito medo de morrer, e ainda me sentia muito mal, sei la, mutilada… E depois ainda veio a amamentação (que doi demais no começo, o bebe não pega… ou seja… poderia escrever um texto sobre isso), exame de sangue todo dia… foi terrível. Me sentia chateada de ter passado por tudo aquilo. Depois, a magoa foi passando, e hoje em dia eu me sinto realmente empoderada  pela experiência do meu parto. Sinto que eu posso suportar qualquer coisa. Sinto que por pior que seja a situação, Deus esta ao meu lado SEMPRE. Poderia escrever muito mais sobre isso, mas vou ficar por aqui.

Muito obrigada a todo o apoio que recebi dos meus familiares e amigos, especialmente meu esposo, minha mae, e minha amiga Ruth. Também sou grata a toda equipe do KGH (hospital), tive o prazer de ter enfermeiras maravilhosas. Me trataram super bem, me senti em casa. E todo o suporte que recebi da minha doula. Foi importante demais! E todos os meus amigos, que me visitaram e trouxeram refeições para nos, não tem preco o carinho que recebemos (sim, enquanto no Brasil as mamães tem que servir lanches, no canada, as visitas trazem as refeições. Achei isso legal demais… Parabéns as mamães brasileiras por proverem tudo isso para suas visitas. Do jeito que eu fiquei, eu não teria nenhuma condição mesmo!).

Curiosidade do meu parto: Foi transmitido pelo facetime! E teve FaceTime do FaceTime para minha familia e de Alex hehehe! A medica achou engraçado demais!